SOS EDUCAÇÃO EM CAMPOS

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

2 de Setembro - Dia Internacional do Livro Infantil


Biblioteca gera dignidade

Biblioteca gera dignidade

Natália Moraes
Foto: Rodrigo Silveira

Sol, céu azul e um barquinho no azul do mar. Ou se preferir, palmeiras imperiais que compõem a paisagem de um belo romance. Lugares não faltam para compor o cenário de uma boa história. Essas mesmas histórias, muitas vezes, estão escondidas em páginas de livros antigos à espera de um passageiro para embarcar em mais uma viagem. “Ler, é o melhor remédio”, já dizia o escritor Luís Fernando Veríssimo. E é, através da leitura, que cerca de 50 pessoas que vivem na rua embarcam em uma nova viagem, todas às vezes que lêem um livro no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (CentroPop), que fica na Rua Formosa, nas proximidades do Mercado Municipal. Uma biblioteca foi montada há três meses no local e, agora, os moradores têm a oportunidade de conhecer um mundo novo. O CentroPop vem desenvolvendo projetos para promover a socialização de pessoas que, por estarem rompidas com as famílias e não terem residência e trabalho fixos, acabam transformando em moradia os lugares públicos da cidade. Na sede do ControPop, os assistidos têm espaço para descanso, higiene, alimentação, atendimento social e psicológico. E agora, também, têm um lugar reservado para leitura. Também são oferecidas diversas oficinas, que, de certa forma, contribuem para melhorar a vida dos moradores de rua.
A coordenadora do CentroPop, Márcia Helena Pereira, destaca que a ideia de montar a biblioteca no local veio pelo próprio interesse que os moradores de rua demonstravam. — Atualmente atendemos cerca de 50 pessoas que vivem em situação de rua e muitas dessas pessoas têm algum tipo de conhecimento e querem aprender mais. Todas as vezes que encontravam um jornal ou uma revista no CentroPop ficavam lendo. Foi aí que surgiu a ideia de montar uma biblioteca para os nossos assistidos. Fizemos uma campanha para a doação de livros usados e muitas pessoas estão doando. Quem quiser fazer doação, é só se encaminhar ao Centro, que fica na rua Tenente Coronel Cardoso, 565, durante o nosso horário de atendimento, de 8h às 15h. Está sendo montado, neste momento, um plano para funcionar até as 20h. Ou então ligar para o telefone 2726-4041, que um carro irá buscar os livros na casa das pessoas que desejam doar — destaca Márcia Helena, que enfatiza, ainda, que o principal objetivo do CentroPop é resgatar a dignidade das pessoas que estão em situação de rua.
José Francisco de Souza, que é um dos freqüentadores da biblioteca, destaca que o CentroPop o ajudou a sair das ruas. E observa que, com a biblioteca, os moradores deixam de perambular pela cidade e ficam no Centro de Referência.
— Vim para Campos à procura de emprego. Morava no Espírito Santo e lá estava muito difícil arrumar um emprego. Cheguei a Campos tem 20 dias e passei alguns dias morando nas ruas. Agora, tenho um lugar para dormir e me alimentar e, com a ajuda do Centropop, arrumei um emprego. Essa ideia de montar a biblioteca é muito boa, pois em vez de estarmos nas ruas estamos aqui buscando novos conhecimentos — destacou.
Moradores de rua têm refeições e atividades
No Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centropop), os usuários podem passar o dia, tendo quatro refeições diárias e sendo encaminhadas pela rede socioassistencial para o atendimento de que precisam, como retirada de documentos, atendimento médico, inserção no mercado de trabalho ou mesmo para um acolhimento, como a Casa de Passagem, até que consigam resgatar os vínculos familiares e sociais.
Segundo a coordenadora do CentroPop, Márcia Helena Pereira, a maior parte das pessoas que moram nas ruas atualmente tem algum tipo de dependência química, principalmente do álcool. E como acabam se desentendendo com seus familiares acabam ficando pelas ruas, pois na rua podem fazer o que quiserem.
— Muitas pessoas que são assistidas não querem voltar para casa e preferem ficar nas ruas. Na rua não tem regras e eles podem fazer o que bem entendem. No Centropop, tentamos colocar essas pessoas novamente no mercado de trabalho e na sociedade — diz Márcia Helena, que finaliza dizendo que no local outras atividades não feitas, dentre elas oficinas de artesanato e desenho.
01/09/2014 11:00

segunda-feira, 24 de março de 2014

Leitura pode danificar seriamente sua ignorância!!!

Foto: Leia a bula.
Verdade!!! Por isso não existe investimento em leitura aqui no nosso país, pois os governantes necessitam de um povo ignorante para permanecer no poder... Não há investimentos em bibliotecas, a maioria das escolas não tem biblioteca e as que tem não tem um bom acervo literário... 

terça-feira, 18 de março de 2014

Um lugar sem sentido

Gustavo Morita

A carência generalizada de bibliotecas nas escolas brasileiras está inscrita num contexto em que pesam a desvalorização da cultura leitora e o modelo educacional adotado historicamente pelo país


Luciana Alvarez
  
Em 2010, apenas 35% das escolas brasileiras contavam com bibliotecas

Brasileiro não gosta de ler. Na era digital, o livro é dispensável. Bi­blioteca é lugar para onde vai quem está de castigo. Inevitavelmente imerso na cultura de desvalorização da leitura e na relação do brasileiro com o objeto livro, o ambiente escolar é o local em que chavões como esses convivem com a falta de acesso a espaços compartilhados de leitura. Como, então, a escola consegue cumprir seu papel de propulsora da democratização da cultura leitora no Brasil?

Os números falam por si: mais de 15 milhões de alunos brasileiros estudam em escolas sem bi­bliotecas, um equipamento bá­si­co. Diante do quadro, cabe questionar: qual a importância da biblioteca para a formação educacional? Entre as consequências de sua ausência no espaço escolar são apontadas dificuldades no período de alfabetização, no desenvolvimento da autonomia para a aprendizagem e no acesso a outros conhecimentos, diminuindo a capacidade de abstração e argumentação.
É verdade que aquele ambiente silencioso e sacralizado não parece mais fazer sentido nos tempos atuais. Mas, ao invés de descartar o volume de informação ali acumulado, é preciso ressignificá-lo, de modo que esse espaço faça sentido para os jovens contemporâneos. Por outro lado, se o Brasil ainda não conseguiu nem igualar a oportunidade de acesso a um espaco compartilhado de livros, a questão é urgente: uma escola sem biblioteca continua sendo uma escola? A legislação, ao menos, tenta indicar que não. A partir de 2020, todas as escolas de ensino fundamental e médio no Brasil devem ter uma biblioteca, segundo a lei federal 12.244/10. Serão seis anos de muito trabalho.

Educação e cultura
O cenário atual é grave e não há qualquer sinal de que uma evolução rápida esteja a caminho, mesmo após a sanção da lei da universalisação das bibliotecas. Em 2010, o número de escolas (públicas e particulares) de nível fundamental com bibliotecas era de 35% e, no ensino médio, de 72% – houve apenas um ponto percentual de melhoria em cada nível de ensino.

É no ensino fundamental que a falta de bibliotecas encontra uma realidade mais dramática: apenas 30% das escolas públicas oferecem o equipamento nessa etapa de ensino, e 43% dos alunos estudam sem ela. Na escola privada elas também fazem falta: 28% das escolas não oferecem esse equipamento e 18% dos alunos estudam sem ele. Em âmbito nacional, as escolas municipais são as mais deficitárias – só 22% contam com acervos organizados.
Com o tempo passando, a legislação parece cada dia mais longe de chegar a ser cumprida. O Censo Escolar mostra que, em dois anos, foram implantadas 317 bibliotecas em escolas fundamentais e 650 em instituições de nível médio. Ainda faltam mais de 99 mil. Em 2010, era necessário construir 28 novas bibliotecas por dia no país para chegar em 2020 com 100% de cobertura. Dois anos mais tarde, o ritmo precisa ser de 34 bibliotecas por dia.
Para Ivete Pieruccini, professora do curso de biblioteconomia e coordenadora do laboratório de infoeducação da Universidade de São Paulo (USP), a carência generalizada desse espaço está inscrita em um contexto sociocultural complexo, em que pesam a falta de uma cultura de bibliotecas e o modelo educacional adotado historicamente pelo Brasil.
“Nos países anglo-saxões, por razões históricas ligadas à religião e à leitura da Bíblia, o livro é visto como uma fonte de conhecimento e informação, assim como o professor”, explica Ivete. “Aqui nós usamos as bibliotecas para preservação do patrimônio cultural escrito, dentro de uma outra lógica. A biblioteca não é vista como indispensável porque a educação não a incorporou como fonte de informação. O professor é a fonte única, que responde por todos os problemas de preenchimento de conteúdo.”
Efeitos na educação
A lógica educacional transmis­siva, diz Ivete, embora esteja sendo repensada atualmente por causa das novas teconologias, ainda é bem aceita em quase todos os meios, e é por isso que certos pais aceitam pagar mensalidades para que seus filhos estudem em instituições sem bibliotecas. “A população, mesmo a que faz parte de circuitos econômicos privilegiados, não tem ideia da importância do papel da biblioteca na formação educacional. Para eles, um bom professor com um livro didático dão conta.”

Para Carlos da Fonseca Brandão, professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), do campus de Assis, a falta de bibliotecas reflete a deficiência no processo de alfabetização e colabora com ele. “Uma criança bem alfabetizada gosta de ler; as com dificuldade, não querem ler.” Ao ter uma biblioteca disponível, é mais provável que a criança pequena tenha seu desejo de conhecer o mundo das letras despertado, o que torna a alfabetização mais fácil.
Gustavo Gouveia, coordenador da Rede de Bibliotecas do Instituto Brasil Leitor (IBL), lembra que a falta de um espaço para consulta e leitura não dirigida afeta diretamente a capacidade da escola de formar um cidadão leitor, assim como atrapalha o desenvolvimento da autonomia na aprendizagem.
“Um aluno sem acesso a uma biblioteca fica impossibilitado de se habituar a esse espaço que concentra informações. Ele vai para a sala de aula, aos laboratórios, sempre coordenado, dirigido”, afirma. “É na biblioteca que ele tem a oportunidade de adquirir conhecimento de maneira informal, acessar a informação que ele deseja, não necessariamente direcionado”, explica.
Repensando o espaço
Mas para que investir recursos humanos e financeiros em um local tão pouco utilizado pelos alunos hoje em dia? Mesmo num mundo cada vez mais digital, com os jovens procurando novas plataformas, ainda faz sentido brigar para que bibliotecas sejam criadas, acredita Christine Fontelles, do Instituto Ecofuturo, voltado para a promoção da leitura e escrita. “É preciso haver um local para acessar livros, não importa se o suporte seja impresso ou digital. Em Madri, já existe uma biblioteca que empresta tablets. O importante é que todos possam se tornar íntimos da ação da leitura”, afirma ela.

De fato, uma mídia não exclui a outra. Mas, como o país ainda não foi capaz de universalizar sequer as bibliotecas tradicionais, a discussão sobre a convivência do livro em papel com o digital parece um problema distante da maioria dos alunos Brasil afora. O importante, segundo Christine, é que a biblioteca faça sentido, seja entendida e projetada como um local para o despertar de um novo prazer. Portanto, não basta o acesso aos livros, embora ele seja uma pré-condição. É preciso ir além. “Se a leitura é impositiva, fica chata. É preciso, por exemplo, dar liberdade para os alunos escolherem um título – por que todo mundo tem de ler a mesma coisa ao mesmo tempo? Ninguém nasce leitor, tudo é aprendizado”, diz.
Para Ivani Nacked, diretora de projetos do IBL, o déficit de bibliotecas e a falta movimentação em torno do tema refletem a desvalorização do ato de ler na sociedade brasileira. “A biblioteca é vista como um lugar sisudo, fechado. O livro por vezes é endeusado, proibido de estar no chão, tem de estar na estante. Isso causa um distanciamento”, acredita.
Portanto, antes de discutir a implantação de uma nova biblioteca, é preciso um processo de reflexão sobre esse espaço, recomenda Ivani. “O que é um acervo? Uma estante com livros? O silêncio tem de imperar? Uma biblioteca não pode ter um acervo musical? O foco não é só a palavra escrita. Deve ser uma sala onde todos possam se encontrar para aumentar seu repertório cultural.”
A biblioteca pode, portanto, ser um ambiente que integre várias manifestações, um lugar agradável que dois amigos escolhem para se encontrar para desenhar enquanto ouvem música, por exemplo. Para trazer as crianças e jovens para dentro desse ambiente rico, é necessário ouvir a opinião deles sobre o assunto, em vez de haver decisões exclusivas dos dirigentes. “O jovem sempre traz algo desconhecido para a escola; ele tem muito a contribuir. Perguntar o que ele deseja da biblioteca, para que seja um espaço que pertença a todos, não seja excludente, é um bom primeiro passo”, afirma Ivani.
Exemplo dos professores
Mesmo tão ausentes, as bibliotecas escolares ainda são a principal fonte de acesso a livros para crianças e jovens com idades entre 5 e 17 anos, revela a pesquisa Retratos da leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro. Foram elas as responsáveis por 47% dos títulos lidos por essa faixa etária.

No levantamento mais recente, divulgado em 2012, os estudantes haviam lido em média 3,41 livros nos três meses anteriores ao questionário, sendo que 2,21 foram indicados pela escola e apenas 1,20 por iniciativa própria (aqui estão incluídos todos os tipos de livro, de literatura, didáticos e até a Bíblia). Apesar do índice baixo, quem está estudando lê bem mais do que quem já saiu da escola: 74% dos estudantes leem, contra 31% dos não estudantes.
E o professor se mostra o principal agente influenciador da leitura; dos cinco mil entrevistados, 45% apontaram seus mestres como quem mais influenciou seu hábito de leitura. Nas edições anteriores, as mães foram as mais citadas.
Mas os docentes, de forma geral, não se mostram bons exemplos de leitores. Compilação de dados da plataforma educacional QEdu, com base no questionário socioeconômico da Prova Brasil, apontou que nem metade dos professores da rede pública leem no seu tempo livre – apenas 45% disseram ler sempre ou quase sempre.
Para Andrea Berenblum, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), é urgente preparar os professores para esse cenário. A professora do Instituto de Educação fez, a pedido do MEC, em 2005, uma avaliação diagnóstica do Programa Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE). Suas conclusões foram de que a distribuição de acervos é “bem necessária”, porém, insuficiente como política de formação de leitores. Uma medida conjunta, acredita ela, seria a capacitação dos docentes.
“É fundamental considerar e refletir sobre as inúmeras dificuldades dos professores para trabalhar com os livros nas escolas, a ausência de formação que lhes permita pensar criticamente sobre sua prática pedagógica e discutir diferentes concepções de linguagem, de leitura e de escrita, os limites no aproveitamento do material disponível e a angústia pela falta de tempo para exercitar a própria leitura”, diz a pesquisadora.
Segundo Andrea, políticas de fomento à leitura e de formação de leitores precisam se centrar não apenas na distribuição de acervos, mas em garantir a qualidade do trabalho pedagógico com a leitura e a escrita. “Isso envolve levar em consideração, ademais e principalmente, as reais condições em que os profissionais da educação estão desenvolvendo o seu trabalho cotidiano nas instituições educacionais.”
Esses fatores poderiam explicar por que, quando chegam à escola, os livros são ‘escondidos’, sem serem disponibilizados para a comunidade (leia mais na página 43). Para Brandão, da Unesp, o triste cenário atual só vai melhorar se houver vontade política em todas as esferas. “É preciso entender as responsabilidades dos níveis da federação. O governo federal tem o PNBE, os municípios têm a obrigação de gastar 25% da receita dentro da escola. Agora é preciso usar esses recursos disponíveis”, afirma.
Trabalho de longo prazo
No ranking de escolas com e sem bibliotecas no Brasil, o estado em melhor situação, o Rio Grande do Sul, tem 74% das escolas de nível fundamental e 95% das de nível médio com bibliotecas. O bom resultado, no entanto, vem de um trabalho bem anterior à legislação de 2010.

Na década de 1950 foi criado dentro da secretaria de Educação um setor responsável pelas bibliotecas. Em 1988, foi estabelecido um “horário semanal de leitura” no currículo da rede estadual. Em 1989, a Constituição Estadual determinou que as escolas públicas e particulares deveriam ter bibliotecas. Desde então, o Conselho Estadual de Educação só aprova a abertura de novas instituições se elas tiverem o equipamento. Pela lei estadual, o acervo mínimo é de quatro volumes por estudante.
“A continuidade das políticas públicas faz a diferença”, afirma a bibliotecária Maria do Carmo Ferreira Mizetti, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares.
Mesmo assim, apesar das décadas seguidas de esforço, ainda faltam 1.700 bibliotecas escolares no Rio Grande do Sul. Maria do Carmo aponta algumas dificuldades. “Em algumas escolas, o número de alunos aumentou e a biblioteca acabou virando sala de aula. Em escolas muito pequenas, o acervo fica inteiro numa estante, não há uma biblioteca de fato.”
A coordenadora também cita a falta de biblioteconomistas como entrave para a evolução das já existentes. “Estamos terminando um manual sobre o funcionamento de uma biblioteca, para que o profissional que assumir possa ter métodos eficientes de trabalho.”

Confusão de nomes
O estado mais rico do Brasil, São Paulo, contraditoriamente aparece no Censo Escolar como um dos menos equipados, ficando abaixo da média nacional, com bibliotecas em 29% dos estabelecimentos de ensino de nível fundamental. A rede estadual é a de pior índice entre os 26 estados e Distrito Federal: somente 9% das escolas oferecem bibliotecas a seus alunos. No ensino fundamental, são 433 escolas com bibliotecas e um déficit de 4.455.

Segundo a secretaria estadual de Educação, porém, todas as escolas possuem acervo disponível aos alunos para consulta e leitura. O baixo índice alcançado no levantamento oficial do MEC seria um problema de nomeclatura. Existe um programa oficial da secretaria chamado Salas de Leitura – mas na prática elas funcionam como bibliotecas normais.
No entanto, ao responder o Censo, os dirigentes das escolas assinalam que elas possuem “salas de leitura” em vez de “bibliotecas”. Segundo a secretaria, quase três mil escolas participam do programa Salas de Leitura, número que equivale a 65% de todas as unidades da rede.
Aberta das 7h às 23h, durante todos os turnos de aula, a sala de leitura da Escola Estadual João Octavio dos Santos, no morro do Bufo, em Santos, se parece com uma biblioteca tradicional. Estantes de livros separados por temas e indicação de faixa etária recobrem as paredes. No meio da sala, decorada com desenhos de alunos, estão dispostas seis mesas circulares com cadeiras. Há também uma TV com aparelho de DVD e um data-show, além de mesa para atendimento.
“Não temos a figura do bibliotecário, mas dois professores ficam responsáveis pela sala. Eles receberam treinamento para a função e trabalham muito o lado pedagógico”, afirma a diretora, Maria Madalena de Almeida Serralva. “Se um aluno teve uma aula sobre a Segunda Guerra e se interessou pelo assunto, eles podem indicar os livros de história, ou de literatura, que tratem do tema”, exemplifica Maria Madalena sobre como o trabalho da sala é naturalmente articulado com o currículo.
Com livre acesso a todos os alunos, e também aos pais, a sala possui um acervo que atende desde o primeiro ciclo do fundamental ao ensino médio. “As crianças menores são as que mais leem. Muitas vêm aqui no recreio e leem um depois do outro. É importante para formar o hábito”, afirma a diretora.
Os controles de empréstimos ainda são feitos em cadernos de papel, escritos à mão. A informatização da sala está prevista para este ano. A secretaria de Educação informou que há um sistema específico para as bibliotecas da rede, em que é possível consultar o acervo de todas as escolas já conectadas e, se for preciso, o estudante pode buscar um livro em uma outra unidade. A reportagem da revista Educação visitou também salas de leitura de outras quatro escolas na capital paulista e todas seguem o mesmo padrão.
Cabe perguntar se, independemente da nomenclatura, os alunos brasileiros apartados do mundo da leitura poderão enfrentar deficiências não apenas na vida escolar, mas na vida prática, e no seu papel como cidadãos.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Menos Tv e mais livros

 
Emília, Narizinho e Pedrinho. Se seus filhos ainda não sabem quem são esses personagens da literatura brasileira, está na hora de pôr a leitura em dia. Hoje, no Dia Nacional da Literatura Infantil, pais e professores podem aproveitar para incentivar um pouco mais do mergulho no mundo das letras. A Biblioteca Infantil da Fundação Cultura Jornalista Oswaldo Lima mantém suas portas abertas das 8h às 18h à espera das crianças com diversas opções literárias que vão de gibis às histórias clássicas do imaginário infantil, como “Dom Quixote”. A Biblioteca Infantil, assim como a Nilo Peçanha, estão localizadas no Palácio da Cultura, na Praça da Bandeira, Centro, próximo ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Outra opção para o dia é participar do Troca-Troca Literário, realizado pela prefeitura de Campos, através da secretaria de Educação. O evento será realizado pelo Programa de Leitura “Ler para Ser” na sede da secretaria, no final da rua Gil de Góis s/nº, (na antiga estação). Os interessados devem levar livros de literatura infantil, juvenil e adulto e realizar a troca no hall de entrada, das 9h às 14h.
Monteiro Lobato é o motivo do Dia Nacional do Livro Infantil ser comemorado hoje. O escritor brasileiro, que foi um dos maiores autores da literatura infanto-juvenil viveu parte da sua vida em fazendas e seus maiores sucessos eram personagens que viviam em sítios — assim nasceu o “Jeca Tatu”, um caipira muito preguiçoso. Depois criou a história “A Menina do Nariz Arrebitado”, que fez grande sucesso. Mas, em seguida, veio o que pode ser considerado como a maior obra da literatura infanto-juvenil: “O Sítio do Picapau Amarelo”, que foi transformado em obra televisiva nos anos 1980, sendo regravado no final dos anos 1990.
— Aqui na biblioteca, contamos com todo o acervo de obras de Monteiro Lobato para garantir o contato das crianças com o autor. Temos ainda obras clássicas que devem ter feito parte da infância dos pais que vierem aqui, como os clássicos da Disney  — conta o diretor da Biblioteca Municipal Nilo Peçanha e Biblioteca Infantil, Maurício Xexéo.
Para a escritora Isabel Assad, que recentemente foi premiada pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latina — seção  Brasil, na categoria melhor livro infanto-juvenil com o título “O Menino Menor Que Seu Sonho”, “toda a iniciativa de leitura no país deve ser incentivada ao extremo”.
— A criança precisa pensar colorido. Estamos praticamente sem verde nas ruas. Está tudo cada vez mais cinza, de asfalto, de poluição. A literatura permite à criança um novo olhar para a realidade — disse ela, chamando a atenção para o fato de hoje crianças e adolescentes pertencerem a uma geração voltada às telas de computador, televisão e celular.
“Os pais deveriam ler cada vez mais para os filhos, sentar, abrir o livro e fazer as  viagens instigadas pela literatura. Os noticiários da televisão só mostram violência, assim como os desenhos e os vídeos games”, disse.
 
Talita Barros e Lívia Nunes

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Coleção de livros fala sobre a problemática do bullying na escola











 
A editora Garamond está lançando uma coleção de livros voltados para os estudantes, que trata do bullying no ambiente escolar. Na coleção Era uma vez o bullying conhecemos jovens estudantes e suas comoventes histórias. Acompanhando dramas e aventuras, sobretudo de Rafael, Giselle, Ludmila, Davi e Tatiana, o leitor-aluno tem acesso à múltiplas perspectivas associadas à questão da violência escolar. Segundo os responsáveis pela coleção: "ver a partir de tantos olhos é uma preciosa forma de conhecimento – estímulo ao respeito, não por indulgência, mas pela percepção de que a ideia de superioridade é o mais absoluto equívoco humano".

Maiores informações sobre os livros podem ser obtidos no site da editora www.garamond.com.br. O lançamento oficial da coleção, com distribuição em livrarias ocorrerá em janeiro de 2013.
Fonte: Sepe RJ.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Projeto Itaú: Leia para uma criança!

Lembram da coleção Itaú de Livros Infantis que divulgamos há algum tempo? 
A do meu filho chegou  hoje =D
https://ww2.itau.com.br/itaucrianca/peca_colecao.aspx

Peça sua coleção

Quando você lê para uma criança, além de aproveitar bons momentos, contribui para sua educação e seu desenvolvimento integral.
Faça seu cadastro, receba em casa gratuitamente a Coleção Itaú de livros Infantis e leia para uma criança.
Para efetuar o cadastro, basta acessar no link abaixo:
 
 
Uma excelente dica para hoje, dia 29 de Outubro, quando comemoramos o dia nacional do LIVRO.

29 de Outubro: Dia Nacional do Livro!!!



Imagem: Site Se Liga Brasil.

Um pouquinho de Luís Fernando Veríssimo nessa segunda!!!

Ler...

Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...
Leia outdoor...
...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos. Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática, trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!

Luís Fernando Veríssimo
Ler...

Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...
Leia outdoor...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a  página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos. Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática, trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!

Luís Fernando Veríssimo
 
Fonte: Educação como prática da liberdade.

Comemore o Dia do Livro

 

Phillipe Moacyr
 
Hoje, 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro, que foi instituído em 13 de dezembro de 1966, pela Lei nº 5.191. Em 29 de outubro de 1810, a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, sendo então fundada a Biblioteca Nacional. Escolheu-se comemorar o dia para coincidir com a data oficial da fundação da Biblioteca Nacional. Dono da maior biblioteca da América Latina, sendo a Biblioteca Nacional considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, o brasileiro ainda lê pouco.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada no mês de março pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. Colocando em números, o Brasil tem hoje 50% de leitores, ou seja, algo como 88,2 milhões de pessoas. O levantamento incluiu na categoria de leitor, aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses, inteiro ou em partes. As mulheres leem mais: 53% são leitoras. Índice maior do que o verificado entre os entrevistados do sexo masculino (43%).

A relação do brasileiro com o livro remonta a 1808, quando o Brasil passou a editar livros. Foi quando D.João VI fundou a Imprensa Régia. Se por um lado, apenas 50% da população brasileira é potencial consumidora, por outro 88,2 milhões de leitores não podem ser desprezados por nenhum mercado editorial de qualquer país. É o que aponta o levantamento “Produção e vendas do setor editorial brasileiro”, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas realizado por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), no ano de 2011. O segmento cresceu 7,36% no ano passado, somando R$ 4,84 bilhões. O número de títulos editados aumentou 6,28%, totalizou 58.192. E, o total de exemplares vendidos e produzidos foi 7,2% e 1,47% maior (469,47 milhões e 499,79 milhões, respectivamente). Neste total de vendas o governo é o responsável pelo acréscimo de 21,2% nas vendas de livros para programas e órgãos governamentais.

O livro em Campos

Campos tem o privilégio de ter a livraria mais longeva do Brasil. Fundada em 1844, Ao Livro Verde é a mais antiga livraria do país. Localizada no Centro da cidade, funciona sem interrupção e, desde então, no mesmo endereço. Para Carlos Américo, responsável pela livraria, o movimento de vendas já foi maior no pas-sado, “Havia menos livrarias em Campos, não existia a internet, porém houve aumento na procura por livros de literatura”, disse. Carlos Américo Machado Franco imputa à mudança ortográfica, um prejuízo real que aconteceu em 2012, “As editoras não pegaram nas sobras que fo-ram perdidas”. Por outro lado, ele já percebe uma clientela nova de fora por conta das obras do Porto do Açu. “Isso, nos faz pensar sempre em crescimento, em fidelização desses que agora chegam e há dois meses implantamos a venda on-line, através da nossa livraria virtual, no sítio: aolivroverde.com”.br, frisou ele.

Outra tradicional livraria na área central é a Livraria Noblesse, que tem no funcionário José Maria Neves de Gusmão, o pilar de todo fluxo de li-vros da casa. Ele é que decide que títulos comprar e acompanha venda por venda. “Trabalhar com livro é de-licado. Literatura tem época de vender. Campos cresce, dá para se perceber um cliente recente com uma visão e gosto diferente, alguns autores que antes não vendiam agora vendem”, observa José Maria.

No Centro, é onde se localiza a Livraria Diálogo e Cultura, que é um sebo, faz troca e venda. Sua proprietária Hilda Carvalho, fala com entusiasmo. “Adoro meu trabalho, criei meus quatro filhos, todos doutores, tiro meu sustento e leio muito. Criamos a venda on-line, nela atingimos o Brasil inteiro. Uma venda, às vezes, significa de uma só vez 70 livros”, frisou Hilda.

Criada há oito anos, na Pelinca, a livraria Honey-Book, através de sua proprietária Adriana Pereira da Silva aposta em um mercado crescente em Campos. “Contabilizamos 20% a ma-is nas vendas, ano a ano. Vamos nos mudar para outro lugar na Pelinca: sairemos de 80m² para uma loja de 250m².”, informou Adriana.

Todos foram uníssonos ao afirmar a importância das bienais do livro na divulgação das livrarias, na difusão do livro, na formação de futuros leitores e no incremento das vendas. Também revelam o expressivo sucesso de vendas da trilogia ‘50 Tons de Cinza’, editado pela Intrínseca, cuja autora é uma ex-executiva de TV, E L James. Sua trilogia, comprada basicamente por mulheres, é a campeã de vendas de 2012, sendo aguardado o lançamento nacional do terceiro volume, para o mês de novembro.
 
Luciana Portinho

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um minuto de silêncio para os livros de papel

Jornal do Brasil
Marcos Hiller
Um dos assuntos que mais geram debate acalorado hoje em dia é o futuro do mercado editorial e dos livros físicos ou e-books. Para onde está indo esse mercado? Os livros digitais vieram para ficar? Os livros físicos tendem à falibilidade? Essas e outras perguntas transitam nas cabeças de editores, jornalistas, professores, bibliotecárias e amantes da leitura em geral. Com este texto, procuro não trazer respostas mas polemizar ainda mais esse debate.

Como professor, posso dizer que o livro é a água que mata nossa sede de conhecimento. Os livros e seus autores são elementos que ancoram todas as discussões que provocamos no mundo acadêmico. Eles são a nossa razão de ser, e os livros digitais são tudo isso, só que digitais, e não analógicos. Os livros físicos são bonitos, são charmosos, enfeitam nossas mesinhas de centro, etc. Mas os livros físicos pesam nas nossas mochilas, e nossas costas doem. Os livros físicos são combustíveis para possíveis incêndios. Os livros físicos são feitos de papel e, sob a ótica da sustentabilidade, isso não é politicamente correto. Os livros físicos ocupam milhões de metros quadrados em prateleiras de bibliotecas. Livros físicos empoeiram.

E os livros digitais? Ah, os e-Books são mais fáceis de compartilhar, mais fáceis de carregar e possuem exatamente o mesmo conteúdo do livro de papel. E quem disse que um iPad não fica bonito na nossa mesinha de centro? Fica, sim.

Uma informação para os saudosistas do livro de papel. Há cerca de um ano, a Borders, simplesmente a segunda maior livraria dos Estados Unidos, pediu falência. E entre os vários motivos que levaram a essa quebra está o de maior peso: a Borders subestimou os e-Books e não entrou de forma efetiva para esse mercado.

Algumas pessoas falam que ler em uma tela cansa a vista por causa do brilho. Experimente ler no Kindle da Amazon, que tem a mesma opacidade de página de papel — você não volta para o papel. Recentemente, me peguei em uma discussão com uma professora do Senac, em que eu defendia os livros digitais e ela defendia que os livros físicos são imortais. No meio da discussão perguntei a ela: “A senhora já mexeu em um iPad?” E ela respondeu que não. Ora, fica complicado discutir e tentar contra-argumentar com uma pessoa que forma opinião em cima de assuntos que desconhece. Não conhece, não fala.

Na minha opinião, os livros físicos estão sim com os dias contados. Assim como a TV analógica. Um minuto de silêncio por favor.

* Marcos Hiller é coordenador do MBA em Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios (@marcoshiller).

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Projeto Itaú Criança - Livros gratuitos!!!


O Itaú está distribuindo, gratuitamente, basta se
cadastrar no link abaixo, um kit com 3 livros MARAVILHOSOS são eles:
1 - "CHAPEUZINHO AMARELO" do Chico Buarque, com ilustrações do Ziraldo!
2 - "FESTA NO CÉU" em versão da Ângela Lago!
3 - "ADIVINHA QUANTO EU TE AMO", uma história lindíssima que fala do
amor entre pai e filho!!
Divulgue para todo mundo! Peça para você, para os seus filhos, para sua sala
de leitura!! (para cada CPF cadastrado entregam 1 kit!)

Link para cadastro: http://www.itau.com.br/itaucrianca/