SOS EDUCAÇÃO EM CAMPOS

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domingo, 4 de novembro de 2012

Agressões contra mulheres aumentam

 

O aumento de agressões contra à mulher, em Campos e região, vem causando revolta entre a população. De acordo com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas-Mulher 3), de setembro de 2011 à setembro de 2012 foram registrados 540 casos no município e adjacências. Já de acordo com dados da 134ª Delegacia do Centro, de janeiro a julho deste ano, 480 casos foram registrados, contra 301 no mesmo período registrado no ano de 2007. Segundo especialistas, a falta de uma delegacia especializada à mulher, na região, e a desinformação em algumas famílias são apontados como possíveis motivos de ocorrer esses crimes. Na semana passada, em menos de uma semana, três mulheres foram assassinadas na região.
De acordo com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), Margarida Estela Mendes do Nascimento, há mais de dez anos as mulheres campistas esperam pela inauguração da delegacia da mulher na cidade. Desde 2010, a unidade vinha sendo instalada no terceiro pavimento da 134ª Delegacia Policial (Centro), e recebeu cerca de R$ 500 mil em investimentos na obra e nos equipamentos. Mas, há mais de seis meses a obra está parada, adiando ainda mais a inauguração do órgão.
— A informação que temos é que a empresa que venceu a licitação para as obras no espaço não teria cumprido as exigências do contrato. Por isso, houve outra licitação e uma outra empresa foi escolhida. A previsão era de que a unidade fosse inaugurada até o fim deste ano. Acredito que com a delegacia, as mulheres vão ter mais coragem em denunciar os agressores. A inauguração do órgão vai ser uma vitória a todas as mulheres — disse a presidente.
Em nota, a assessoria da Delegacia Legal informou que, a empresa Construnor Empreendimentos Comércio e Serviços Ltda, vencedora da licitação não concluiu as obras dentro do prazo, apesar das prorrogações concedidas para a empreiteira pela secretaria de Estado de Obras (Seobras). Os técnicos do Programa Delegacia Legal solicitaram a Seobras as sanções legais contra a Construnor pelo descumprimento do referido contrato. A nota informou ainda, que no dia 20 de setembro foi realizada uma nova licitação para contratação de outra empresa para concluir a obra, mas a licitação foi considerada deserta já que não foram apresentadas propostas na concorrência.
Com isso, a Seobras estará providenciando publicação de edital para realização de nova licitação. Após a conclusão da licitação e assinatura do contrato a obra será concluída em até dois meses, já que nesta unidade foram executadas cerca de 60% dos serviços.
Lei Maria da Penha aumenta a punição
Para a presidente do Com-dim, Margarida Estela Mendes do Nascimento, na maioria dos casos de agressões à mulher, o homem está desinformado sobre os avanços da Lei Maria da Penha. Segundo ela, antes, os homens acusados de agressão à mulher pagavam pelo crime com cestas básicas e hoje são indiciados e respondem o processo na justiça. Outro avanço é que os agressores terão que ressarcir o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) todos os custos com benefícios concedidos pelo órgão, gerados em função das agressões contra as mulheres.
— A lei mudou e a mulher está mais protegida. Órgãos que discutem o tema deveriam estar presentes também, em bairros e distritos para informas os avanços da lei nos últimos meses. Algumas pessoas estão desinformadas e não sabe o que uma agressão à mulher pode causar ao agressor futuramente. Esses criminosos devem ser denunciados — disse Margarida Estela Mendes.
Desde maio, Campos conta também com o Creas – Mulher 3. Ligado à secretaria municipal da Família e Assistência, o órgão surgiu na cidade a partir da fusão dos dois núcleos (Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher - Niam e Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher - Neam), atendendo a toda a família e não só à mulher agredida. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, o homem, em papel de agressor, também tem acompanhamento, porque é necessário que ele saia desta condição.
 Dulcides Netto

terça-feira, 17 de abril de 2012

Mãe e avó de menina agredida por pai em MS pedem guarda provisória


Pedidos foram feitos após divulgação de vídeo com agressão contra menina.

Advogado do suspeito diz que ele está arrependido e triste pelo que fez.

Do G1 MS


A dona de casa de 30 anos, mãe da menina de 9 anos que aparece em um vídeo apanhando do pai, disse que vai entrar com pedido de guarda provisória da menina. A avó paterna, que cuidou da garota durante 6 anos, também já recorreu à Justiça para ter a guarda da neta. O pai, auxiliar de serviços gerais de 29 anos, está preso e foi indiciado nessa segunda-feira (16) por lesão corporal dolosa. Por meio do advogado, ele disse estar arrependido pelo que fez.
A Polícia Civil começou a investigar as agressões depois que recebeu, na sexta-feira (13), as imagens feitas por uma testemunha. No vídeo, o homem aparece agredindo a menina com chinelo, irritado porque ela mexeu em imãs da geladeira. Na gravação na íntegra, a menina aparece levando 33 chineladas do pai.
A dona de casa é mãe de outros 7 filhos, com idades entre 15 anos até 9 meses. Ela mora em Jardim, a 239 km de Campo Grande, e disse ao G1 que entregou a filha para o ex-companheiro quando a criança tinha 2 anos de idade. A dona de casa alegou que não tinha condições de criar a menina, pois iria morar em uma fazenda em Porto Murtinho. “Não tinha dinheiro nem para comprar leite nem fralda, achei que era melhor deixar ela com o pai”.
Ela disse que não fez qualquer acordo judicial para deixar a criança com o pai. A menina morava com ele e avó paterna, em Campo Grande. Segundo a dona de casa, no começo, o homem levava a garota para visitar a avó materna e que ninguém na família imaginava que houvesse alguma agressão.
A dona de casa disse que, durante o casamento, foi agredida pelo suspeito. “Eu apanhei muito dele, mas não imaginava que ele fosse fazer uma coisa dessas com ela, porque eu era só mulher, mas ela tem parentesco com ele”.
Segundo dados do Conselho Tutelar em Campo Grande, a avó paterna também entrou com pedido de guarda provisória. No conselho, a informação é que a menina era criada por essa avó, até que o suspeito casou e pediu para levar a filha para a casa dele. Até então, dos 2 aos 7 anos, quando a mulher cuidava da neta, a criança não teria sido agredida.
O conselho informou ainda que a mãe biológica tem registro de maus-tratos de outros filhos, em casos ocorridos em Barbosa (SP). Depois da prisão do pai, a menina foi levada para ficar com a avó paterna. A madrasta saiu de casa da família, como bebê de 2 anos, com receio de alguma retaliação.

Defesa
O advogado Ronei Barbosa Souza, que representa o auxiliar de serviços gerais, disse que o homem está arrependido de ter agredido a filha e reconhece que agiu de forma exagerada. “Ele está extremamente arrependido, está triste e admite que foi um ato impensado.” relata.

Souza explicou que entrou com pedido de liberdade provisória na segunda-feira (16). Em primeira instância, a Justiça em Campo Grande fixou multa de R$ 2 mil. O advogado diz que o cliente não tem condições de pagar o valor estipulado e, por isso, foi protocolado um habeas-corpus no Tribunal de Justiça em Mato Grosso do Sul (TJ-MS), solicitando a retirada da fiança.
O advogado disse que a Justiça deve ser feita, mas “na proporção do ocorrido”, nos trâmites legais. “Não se pode apontar o dedo para alguém. Ele é um pai, que ama a filha. Há vários pais que erram, mas não deixam de amar os filhos”.