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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Servidores fazem novo protesto e Câmara fecha as portas

Servidores fazem novo protesto e Câmara fecha as portas

Arnaldo Neto
Fotos: Valmir Oliveira, Rodrigo Silveira, Arnaldo Neto e Danielle Macedo
 
A promessa era de uma Tribuna Livre, mas a Casa do Povo em Campos mais uma vez estava com as portas fechadas. Manifestações dos servidores ocorreram nas escadarias, no entorno da Câmara e com posterior interdição da BR 101, mas não no plenário. O presidente do Legislativo municipal, Edson Batista (PTB), não permitiu a entrada daqueles que reivindicam a regulamentação do Plano de Cargos e Salários ao mesmo tempo em que o município conceda o reajuste anual previsto pela Constituição Federal, porque entre eles estariam alguns infiltrados com a intenção de tumultuar e depredar a Casa. O discurso segue a linha do secretário de Governo Anthony Garotinho (PR), que defendeu a tese dos infiltrados quarta-feira (6) em seu programa de rádio. E se os governistas acusam que haveriam infiltrados entre os servidores, o que viralizou na internet foi um convite para “mostrar a oposição que o Garotinho e a Rosinha têm companheiros leais”, convocando a esses que estivessem na Câmara. O texto é atribuído a Ângelo Rafael, mas ele nega. Em agosto do ano passado, Ângelo era subsecretário de Governo e teve seu nome envolvido em uma apreensão de material de campanha irregular em um galpão de um “laranja” da empresa Edafo.
 
Uma série de manifestações vem ocorrendo desde que a Câmara aprovou o Plano de Cargos e Salários, mas permitiu que o Executivo não conceda o reajuste anual aos servidores. Garotinho levou ao Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep) a proposta do Plano em detrimento ao reajuste anual. O Siprosep escolheu o plano, mas servidores argumentam que não participaram dessa decisão e cobram pelo plano e o reajuste, dois direitos que lhes são garantidos.
 
A Tribuna Livre aconteceu do lado de fora da Câmara, em um trio elétrico. Vereadores da base governista foram recebidos com vaias e gritos de “traíra”, por servidores vestidos de preto. Puderam falar um representante do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) e um representante do Siprosep. Edson Batista afirmou que o Legislativo “cumpriu o acordo selado entre sindicato e governo”. Os servidores que se manifestam contra a decisão deram as costas para o presidente da Câmara, que também foi vaiado. Em seguida, ouviram o discurso da representante da Sepe, Norma Dias, que defendeu a legitimidade dos dois direitos ao servidor, e deixaram o local realizando um “apitaço” quando o presidente do Siprosep, Sérgio Almeida, começou a discursar.
 
A oposição não participou da Tribuna Livre. Segundo Marcão Gomes (PT), o combinado era ouvir os servidores no plenário da Casa e não só o sindicato, mas todas as representações de classes. “No meio da tarde resolveram alugar um trio e ouvir apenas os sindicatos. As entidades foram cerceadas. Isso não é democracia, é uma ditadura instaurada por Garotinho em Campos”. Rafael Diniz (PPS) também contestou a forma que a Tribuna foi conduzida. “A casa é do povo e não querem abrir para o povo. Por que na hora que o secretário de Governo vem à Câmara, as pessoas podem entrar?”, contestou o vereador.
 
Governistas distribuíram panfletos salientando que em Campos “nenhum governo fez tanto pelo servidor, quanto o da prefeita Rosinha”.
 
Entre “infiltrados”, servidores e “companheiros leais”, policiais militares que acompanharam as manifestações estimaram cerca de mil pessoas no ato em frente à Câmara.
 
Funcionários vão discutir paralisação geral
 
Ainda revoltados por não conseguirem debater os problemas com os vereadores, servidores públicos de diversas classes vão se reunir sexta-feira (8) e na próxima terça (12) e não descartam a possibilidade de uma greve geral no município. “Nós temos que brigar pelo nosso aumento. Estamos falando de direito, não de favor. O tempo todo o governo quer colocar a população contra o servidor e uma categoria contra a outra. Falam em aumento de 40% para alguns, mas tem servidor que não terá aumento nenhum”, argumenta a professora Luciana Ecard, do movimento “Educadores de Campos em Luta”.
 
O protesto contou com a participação de profissionais da Educação, Saúde, Guarda Municipal, Agentes de Saúde Comunitária e outras classes. A intenção é realizar uma reunião sexta das diferentes classes servidores para uma discussão unificada. Só então na próxima terça o debate pode levar a uma greve geral.
 
Citado em escândalo teria feito convocação
 
Não foram só servidores que se mobilizaram para manifestação em frente à Câmara. “Companheiros leais” a Rosinha e Garotinho, como mostra o texto que viralizou nas redes sociais e é atribuído a Ângelo Rafael, foram convocados a participar do ato na Câmara. Ele nega a autoria do texto.
 
Ângelo, atual Superintendente de Captação de Recursos da secretaria de Administração e Gestão de Pessoas, era subsecretário de Governo em agosto do ano passado, quando foi encontrado por fiscais do Tribunal Regional Eleitoral em um galpão com material irregular de campanha num galpão de um “laranja” da empresa Edafo. O escândalo veio à tona em matérias publicadas na Folha da Manhã e no O Globo.
 
Além de negar a autoria do convite para manifestações, Ângelo afirmou ainda que a “justiça entendeu que as denúncias (da apreensão no galpão) não têm ligação com ele”. Ângelo, assim como outros nomes ligados ao governo Rosinha, esteve em frente à Câmara na quarta e assistiu às manifestações e à Tribuna Livre que ocorreu na rua.

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